terça-feira, 25 de setembro de 2007

Primeiro ensaio sobre acreditar - As posturas de Daniel Dennet

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Quando e porque a palavra “Acreditar” tomou tão grande importância em nosso dia a dia? Seria ela tão poderosa para auxiliar nossos ancestrais? Dando assim a eles a grande ajuda da expectativa e da esperança? Acreditar em dias melhores nunca foi algo ruim, não é de todo ruim hoje, imaginemos antigamente onde o mundo era um lugar praticamente igual ao que se apresenta hoje só que os homens ainda não o dominava, ele era caçado, não tinha previsão de se alimentar, uma simples dor de cabeça já poderia matar.
É dificil não imaginar um de nossos ancestrais pensando que aquilo que ele vivia não poderia ficar pior, tinha de existir algo melhor, e neste campo propicio a meme (prima do gene) cultural de que dias melhores viriam e baseados talvez alguma lembrança passada de algo melhor, dava ao homem a força de não desistir, ele com o tempo seria recompensado, bastava esperar como já esperou antes e a situação acabou melhorando.
Imaginemos uma pessoa mais idosa que viveu uma época de fartura de comida, em um clima mais ameno, agora ela se vê nesta epoca ruim e tenta explicar para os mais jovens que existe uma situação mais reconfortante e sem os problemas que ali existiam, mas ao ser indagado como poderia existir tal situação, já que para muitos era uma situação até difícil de conceber, o ancião poderia até de certa maneira dar algumas dicas e exemplos do que foi feito antes para a situação melhorar, mas a impaciência e a ignorância de explicar como aquelas atitudes poderiam mudar a situação este dito ancião cunhou a palavra “Acreditar”, com esta força de acreditar que dia melhores viriam o homem conseguiu se manter firme, mesmo sendo um ser inferior que muitos, esta percepção lhe trouxe grandes avanços a perseverança em acreditar deu lhe um poder maior sobre as outras espécies, mas este acreditar lhe causa confusão, o método cientifico de analise sistemática de dados e testes surgiu a pouquíssimo tempo na história humana, o homem apesar de acreditar em dias melhores era compelido a não ficar parado, e desde o começo da humanidade existia e existe 3 (três) tipos de percepção, ou posturas como Daniel Dennett chamou, seriam a postura física, a postura de projeto e a postura intencional, análoga destas três posturas, estariam as três formas de se ver o mundo , o modo da realidade real, da realidade de grupo e da realidade individual, as posturas de Dennett seriam de alguma forma explicadas assim, a postura física remete ao homem analisar cada coisa na mais profunda complexidade é a forma mais correta pois tudo acaba sendo explicado pelas leis da física, mas esta postura de analise pode demorar muito e em muitíssimos casos diários não dispomos deste tempo para ter uma postura física a casa ação, é demorado e sem sentido muitas vezes, pulamos então para a postura de projeto, todo mundo senta a frente da televisão pega o controle remoto e liga a mesma, sem a menor preocupação de como isto foi possível, não quer saber como os transistores interagem com os chips, sua placas e assim formem a imagem recebida pela antena – simplesmente assumimos que aquilo foi projetado para que ao toque do botão de ligar todo este mecanismo funcione, esta é a postura de projeto, esta postura adotada para algo que foi projetada pode explicar e irei fazer isto mais para frente como assumimos coisa não projetadas como sendo, já a postura intencional alem de se afirmar que aquilo foi projetado mas que é ou contem um agente que oriente suas ações, ao ser confrontado como uma situação de perigo como por exemplo nosso homem primitivo tendo que lutar pela sua vida contra um predador, o melhor método para ele não é analisar a sua física ou a sua fisiologia e sim buscar a intenção do predador, em um exemplo moderno de esta postura intencional é a interação social onde muitas vezes devemos partir para a postura intencional em detrimento das outras, mas como na postura de projeto em que podemos muitas vezes “ver” coisas projetadas quando não foram, também na postura intencional podemos “ver” intenções onde não existem, até mesmo de coisas banais e seres inanimados, levante a mão quem nunca xingou um impressora que travou o papel? Podemos imaginar xingamentos do tipo “Esta impressora esta me atrasando” ou desculpas para atrasos no trabalho “Desculpe me atrasei pois o meu despertador não tocou”, sim você esta atrasado por causa que a impressão não sai, sim você se atrasou porque o despertador não tocou, mas você põe a intenção de atraso sendo causada pela impressora e não pela sua falta de controle de tempo pois deveria ter feito o trabalho prevendo que a impressora podia quebrar, você põe a intenção do despertador não ter tocado em vez de você ter testado se o mesmo funcionava antes ou de ter trocado a pilha ou até mesmo de ter configurado o mesmo a tocar no horário que você queria, no fundo hoje somos mais racionais sabemos que estes objetos não tem intenção de fazer isto, mas quantos, na hora da raiva não quebraram a impressora ou destroçaram um despertador impondo ali toda a culpa em um objeto inanimado e sem intenções? Outro exemplo é o a postura de intenção nas relações sociais, quantas vezes pensamos “Tenho certeza que a intenção dela é de namorar comigo”, e você estava totalmente enganado, ou em um jogo de futebol você rapidamente pula a postura física e de projeto e vai para a postura de intenção e chuta a bola para um lado sem fazer o mínimo de analise física ou de projeto, sim as vezes você acerta, mas você também erra. Então a postura de intenção é inútil? De jeito nenhum ela super útil, mas estamos viciados nela, como estamos na postura de projeto, obtemos um atalho em nosso entendimento se assumirmos que o coração foi “projetado” para bombear sangue, hoje se sabe que existe uma explicação pela seleção natural darwiniana para isto. O quero mostrar é que muitas coisas podem se apresentar com a postura de projeto quando na verdade não tem nada de projeto nelas.